Prefeito e alunos da zona rural vão ao Ministério Público pedir respostas do Governo do Estado sobre a falta de repasse do transporte escolar

16 de março de 2020

Fotos: Fernando da Hora / SECOM Gravatá

Após arcar com as despesas do transporte escolar dos alunos da rede estadual por mais de três anos e inúmeras tentativas de negociação com Governo do Estado de Pernambuco que já possui um débito de 1,5 milhões de reais com os cofres públicos municipal, a Prefeitura de Gravatá decidiu suspender o translato dos alunos.

Nesta segunda-feira (16), o prefeito Joaquim Neto e a Secretária de Educação Iris Dias, receberam representantes de alunos que residem em diferentes localidades da zona rural gravataense, como Mandacaru, Russinhas, Uruçu-Mirim, Brejo velho, Cumbi e Palmeiras, para explicar a situação e cobrar solução do órgão responsável. O grupo seguiu até o Ministério Público para protocolar um pedido de notificação ao Governo do estado.

“Estamos do lado dos alunos, tentamos negociar por muito tempo com o Governo e não obtivemos êxito. Seguramos a situação enquanto deu, investimos dinheiro de verba própria, mas não temos mais condições de manter essa situação. Os alunos são os mais prejudicados com isso, estão perdendo aulas, se atrasando no ano letivo e isso é muito preocupante. Sou pai e quero que esses alunos tenham a mesma oportunidade que meus filhos tiveram”, disse o prefeito.

Após receber a denúncia, o promotor de Justiça, Epaminondas Tavares, afirmou que irá tomar as medidas necessárias para que a situação seja resolvida.

“Vamos instaurar uma investigação, buscar documentos, analisar a situação e intervir de forma urgente. Vamos notificar os responsáveis para que no mais curto espaço de tempo seja resolvido. Também vim da zona rural, também fui aluno de escola pública e entendo o que esses alunos solicitam”, falou.

 

“É uma falta de responsabilidade do Governo do Estado em não respeitar nossos direitos e deixar chegar nessa situação. Nós precisamos desse transporte, moramos na zona rural e não temos condições de ir à escola sem o transporte público.  Essa paralisação afeta diretamente nosso rendimento escolar, precisamos fazer provas, estamos perdendo conteúdo e fará muita falta quando chegar a hora do vestibular. Quero cursar medicina veterinária e preciso de uma boa nota no Enem. Não vamos ficar omissos a isso, vamos lutar por nossos direitos e que bom que contamos com o apoio do prefeito”, destacou a estudante da Escola Erem Devaldo Borges, Isabela Laís, moradora do sítio Palmeiras.

 

“Temos nosso direito de estudar e de ter a oportunidade que eles tiveram. Merecemos ter nossos direitos garantidos porque queremos um futuro bom. Nós, jovens, seremos os profissionais de amanhã e é a educação que vai nos proporcionar oportunidades. Sou aluno do terceiro ano do ensino médio, é ano de vestibular, concurso público, estamos sendo prejudicados e não é justo que o Governo do Estado nos deixe nessa situação. Estou muito orgulhoso em saber que o prefeito entende e apoia nossa luta e se prontificou em vir conosco em busca de nossos direitos”, falou Fabrício Henrique Bezerra, morador do sítio Maria Isabel, aluno da Escola Aarão Lins de Andrade.

A Secretaria Municipal de Educação afirma que está de portas abertas para receber os alunos ou responsáveis que quiserem esclarecimentos sobre a situação e garante que continuará tentando negociar com o Governo Estadual, para que os alunos e motoristas não sejam ainda mais prejudicados. O Conselho Tutelar também está acompanhando o caso e garantindo o direito dos adolescentes de acesso à educação.

 

Last modified: 16 de março de 2020

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